segunda-feira, 11 de maio de 2009

História do G. E. Uirapuru 48

Histórico - Introdução ao Escotismo
Em 22 de fevereiro de 1857 nascia em Londres, Robert Stphenson Smith Baden Powell que ingressou com dificuldades na carreira militar adquirindo grandes experiências e conhecimentos preciosos para o Escotismo. Sendo destacado em guerras e levantes em geral, tornou-se Coronel e mais tarde General.
Em 1899, na África em Mafeking, defendeu com 800 homens uma cidade aberta contra 10 mil homens, durante 7 meses. Desse modo, nascia a semente do Escotismo, onde Baden Powell ensinava aos meninos resistência, serviços auxiliares como transporte, cozinha, abastecimento, comunicação e saúde.
Em 1910 pediu demissão do exército para dedicar-se totalmente ao Escotismo, percorrendo o mundo, incentivando o movimento e organizando associações. Em 1919 instalou o primeiro curso de chefes no Campo-Escola de Gilwell Park, que é a fonte de todo o adestramento de chefes.
Recebeu o título de "Sir" pelos serviços prestados à nação e em 1929, o título de "Lord" pela dedicação à causa da juventude.
Baden Powell passou os últimos dias de sua vida na África e faleceu em 7 de janeiro de 1941, em Nairobi, Kenya.
Grupo Escoteiro Uirapuru
Depois de inúmeras tentativas válidas, empreendidas por membros da comunidade, surgiu em outubro de 1966, com o Grupo Uirapuru, o Escotismo em Santa Bárbara d’Oeste, quando reuniram-se os seguintes pais de escoteiros e interessados: Benedito Pinto, Manoel Olynto Vieira, Álvares Romi, Léo Trochmann, Fernando Capello, Afrânio P. Cheida, Eizo Wakabara, Moacir Stefanelli, Samuel Wiezel, Antonio Rodrigues, Hector Merazzi, João Feliciano Pires, Jair Barbosa, Itagiba de Campos e Paulo Roque, além de Élio Jovart Bueno de Camargo que, graças à experiência adquirida em São Paulo, e ao apoio de alguns pioneiros do escotismo barbarense, implantou a idéia em Santa Bárbara d’Oeste.
A primeira ata para a escolha do Conselho de Grupo formado pelos pais dos escoteiros está datada em 07 de outubro de 1966, de acordo com a reunião realizada no salão da Igreja Presbiteriana sita à rua XV de Novembro, esquina da rua Graça Martins, em Santa Bárbara d’Oeste.No dia 21 de outubro do mesmo ano, reuniram-se novamente os pais dos escoteiros e interessados para a posse dos eleitos. Porém, o Grupo é reconhecido pela União dos Escoteiros do Brasil, com certificado de registro anual, desde de setembro de 1966.
Em 20 de novembro de 1966 já estavam todos os escoteiros devidamente uniformizados. A nota divulgava também a falta de chefe de tropas, convidando rapazes e moças para fazerem cursos práticos periódicos em acampamentos em São Paulo e Campinas.
Em 05, 06 e 07 de janeiro de 1968 no centro da cidade estiveram acampados dando demonstração da vida de escoteiro e visando angariar maior contingente para o Grupo que até então era formado por 18 membros e chegou aos 35, entre escoteiros e lobinhos (menos de 11 anos). Outro objetivo da demonstração era a pretensão de organizar o clã de pioneiros ("com indivíduos maiores de 18 anos).
Em dezembro de 1967 e janeiro de 1968 , o Grupo Uirapuru esteve em grande atividade, realizando acampamentos e acantonamentos. Nos dias 27 à 30 de dezembro estiveram no Sítio Cachoeira, no rancho do Sr. Álvares Romi, onde fizeram exercícios de adestramentos, jogos de campo e pioneira. Em janeiro, no acampamento de demonstração aos munícipes, fizeram a própria comida, providenciando a limpeza dos trens de cozinha, armando as próprias barracas e dormindo fora do conforto. Depois realizou-se um acampamento no Caiubi, com ótimos resultados, tendo em vista as chuvas que caíram durante quase todo o acampamento. Por fim, o acantonamento dos Lobinhos no Grupo Escolar do Caiubi, já que a regra impõe aos participantes menores de 11 anos, o abrigo em prédios ou alojamentos. Fizeram adestramento, jogos e uma excursão às fontes de água nas terras da Família Angolini.
Os acampamentos foram realizados graças ao chefe Holando Sartori e ao presidente do Grupo Uirapuru Orlando Couto.
Em setembro de 1969 os escoteiros do Grupo Uirapuru acamparam no recinto da II FACISB, de 13 a 30 de setembro no Esporte Clube Barbarense, colaborando com os mentores da Associação Comercial e Industrial de Santa Bárbara. Na mesma época, para difundir melhor os seus ideais, o Grupo editou um interessante jornal intitulado "O Pássaro", com a direção de Antonio C. Angolini e supervisão de Jair B. Barbosa.
Em visita de cortesia ao Grupo, esteve acampando também na II FACISB o Grupo Escoteiro Ibirapitanga, da Vila Mariana, capital paulista . O Sr. Bráulio Pio, prefeito municipal almoçou em companhia dos jovens escoteiros.O Grupo Escoteiro Uirapuru esteve presente no II Jamboree Pan-americano realizado de 25 de janeiro a 03 de fevereiro de 1970 em Assunción, Paraguai, sob o patrocínio da Associación De Scouts Del Paraguay tendo como lema "Paz y Confraternidad". A programação incluía representações próprias de cada país por subcampo, destreza, pioneira, habilidade, incluindo excursões, passeios de barco e visita aos índios Macca. Este Jamboree contou com a participação de 20 países americanos e o Grupo Uirapuru teve como chefe de tropa Antonio Carlos Angolini, , monitor João Aparecido Bueno de Camargo e mais os escoteiros Clecis Roque, Josá Luiz Trochmann, Octávio Luiz Wacabara e Rui Eduardo Pizzani.
O Sr. Lourenço G. de Oliveira, proprietário da perua-táxi que transportou os escoteiros para o Paraguai retornou à cidade já que em Assunción, foi vítima de uma crise de apendicite, tendo sido operado com urgência naquela capital. Porém os escoteiros barbarenses venceram o desfile, superando os próprios paraguaios. A bandeira da cidade, cedida pelo prefeito Bráulio Pio foi hasteada na zona central do Congresso e homenageada por todos os brasileiros participantes.
Santa Bárbara também se fez presente na Operação Espacial realizada no Horto Florestal da capital paulista, um acampamento para monitores que teve a inesperada visita do governador do Estado Abreu Sodré. Hélio J. Bueno de Camargo foi o chefe que acompanhou os monitores e também participou do Curso Executivo em Mar Del Plata, na Argentina.
Por ocasião da participação do Grupo Uirapuru no Jamboree Pan-Americano, as escoteiros receberam justa e merecida homenagem de parte do Lions e Rotary . Ambos os clubes de serviços também homenagearam o Sr. Lourenço Gonçalves de Oliveira que os conduziu até o Paraguai. Cada escoteiro recebeu das mãos do presidente do Rotary, Sr. Laércio Sans um bonito troféu e por sua vez, o Sr. Léo Trochmann entregou, pelo Lions, um mimo ao Sr. Lourenço pelo cuidado que teve no transporte dos escoteiros barbarenses.
Em 21 de abril de 1970 o Grupo Escoteiro Uirapuru esteve em Piracicaba participando de uma série de comemorações a Tiradentes. Os jovens impressionaram novamente por seu dinamismo e entusiasmo, fazendo com que vários jovens se inscrevessem como voluntários para a formação de um grupo na cidade. "É sem dúvida um orgulho para nossa cidade, o fato de os escoteiros barbarenses terem influenciado beneficamente a juventude noivacolinense, que residindo numa cidade de muito mais recursos, não possui até agora seu grupo de escoteiros."
Em 02 de maio de 1970 , 10 chefes escoteiros do grupo esteve acampando nas imediações da represa de Guarapiranga, situada em Rio Bonito, ao lado da capital e do interior para a participação do IV INDABA Regional da Região de São Paulo. O INDABA ou ZUW significa "encontro de chefes" e tem como objetivo a confraternização entre os mesmos, estudos dos problemas da juventude e experimentação de métodos educacionais em grupo. Autoridades e representantes da Direção Nacional do Escoteiros do Brasil estiveram presentes neste encontro.
Em 1º de agosto de 1970 o Grupo Escoteiro Uirapuru esteve novamente Piracicaba nas solenidades de aniversário da "Noiva da Colina" juntamente com dois grupos da cidade que eram orientados e incentivados pelo Grupo Uirapuru, colaborando na expansão do escotismo.
"O Sr. Léo G. Trochmann, presidente do Grupo de Escoteiros Uirapuru, reuniu as autoridades, representantes de Clubes de Serviço e imprensa com o objetivo de oferecer os préstimos de seus escoteiros no auxílio aos favelados. Na mesma oportunidade tratou-se ainda do problema de extermínio das favelas, embora seja baixo, em relação a outras cidades, o índice de favelados em Santa Bárbara d’Oeste.
Em março de 1971 realizou-se nas imediações da Fundação Romi uma missa campal, com a presença do Grupo Escoteiros Uirapuru e sua diretoria, em agradecimento à classificação no Jamboree Mundial do ar que aconteceu em Osaka no Japão . Contou com a eficiente participação do chefe de Tropa Reynaldo Aquino Santos, rádio amador da cidade. A classificação obtida foi o 9º lugar entre 63 participantes de todo o Brasil e o Rádio amador prof. Reynaldo Aquino Santos obteve magnífica classificação de 3º lugar.
Em 13 maio de 1972 foi eleita uma nova diretoria da União dos Escoteiros do Brasil, representada em Santa Bárbara d’Oeste pelo Grupo Uirapuru, que ficou assim composta: diretor presidente: Milton Salomão; diretor vice-presidente: Sylvio Cervone; tesoureiro: Jairo Dias; secretário: Argemiro Prezotto; comissário: José Dagnoni; diretor de relações públicas: Mauri Pinese; diretor de finanças: Jesial Mateus Ferraz de Almeida; conselho fiscal: Nelson Sartori, Paulo Roque e Sydnei Schwartz.
No dia 28 de maio acamparam na chácara do Sr. Aroldo Bataglia, com a celebração de uma missa pelo padre José Egydio. Entre outras cerimônias, houve a promoção de lobinhos a escoteiros, incluindo-se nela os meninos Vicente Giral Armegol Filho, Aparecido Pedro Alcântara, Carlos Alberto Egídio Pereira, José Eduardo Tedesco, Cícero Luiz Angolini e Mário Batagin Júnior. A tropa do Grupo era constituída de 11 sêniors, 18 escoteiros e 14 lobinhos.
Em comemoração a Semana do Escoteiro que em 1973 foi de 22 a 29 de abril o Grupo Escoteiro Uirapuru montou um acampamento demonstrativo no terreno ao lado do Grupo Escolar da Vila MacKnight, gentilmente cedido pela prefeitura. Fizeram palestras em algumas escolas do 1º ciclo e no final de semana, no período da noite houve um jogo de conselho, onde visitantes puderam apreciar os mais lindos cantos escoteiros. Houve hasteamento das bandeiras Nacional, Paulista e do Município, e do Grupo Escoteiro, atividades esportivas e comemorações ao dia 1º de maio. Estiveram adestrando: chefe de tropa - Roberto Aquino; assistente chefe de tropa - Ivan Barbosa de Oliveira; guia de tropas - Estevan Simões.
O Grupo Escoteiro Uirapuru esteve acampando em São Caetano do Sul em 12 e 13 de maio de 1973 em virtude dos 21 anos de fundação do Grupo Escoteiro "João Ramalho", desta cidade, que funcionava sob o patrocínio da General Motors do Brasil através de seu departamento de esportes. O acampamento se realizou em ambiente de muita amizade com a presença de escoteiros de outras cidades.
Em 13 e 14 de outubro de 1973 o Grupo Escoteiro Uirapuru comemorou seu sétimo ano de atividade. Para isto, convidou outros grupos de escoteiros de mais de 50 cidades, dos quais 12 cidades do interior do Estado participaram. O convite enviado aos escoteiros foi o seguinte: "Alô! Companheiros: Gostaríamos que vocês soubessem que estamos em festa. Nos próximos dias 13 e 14 de outubro estamos aniversariando e, ficaríamos imensamente satisfeitos se os nossos queridos irmãos, desde já, fossem arrumando suas mochilas, barracas, materiais de cozinha, alimentação, etc. e dessem um pulinho até esta nossa querida cidade de Santa Bárbara d’Oeste, pois estamos ansiosos para revê-los e acreditamos que tudo dará certo a fim de que possamos tomar juntos, aquela chocolatada. Desde já, contamos com vocês, poderemos Ter o nosso Fogo de Conselho e, entre os grupos faremos competições escoteiras. Será uma grande oportunidade para que possamos apertar nossas mãos, aumentando, assim, o elo de amizade que nos une (...) Nós os aguardamos. Sempre alerta! Grupo Uirapuru de Santa Bárbara d’Oeste. Acampamento: rua Dona Margarida esquina com a avenida Sábato Ronsini."
De 02 a 04 de novembro os escoteiros Ivan Carlos Barbosa de Oliveira (chefe), Gerson Luiz Iatarola, João Batista Dagnoni Neto, Julho César Bertani e Giorge Paiva acamparam nos altos da serra do Ipanema nas proximidades da serra de Paranapiacaba, a convite do Grupo Escoteiro Santana, de Sorocaba. O comissário distrital prof. José Dagnoni, levou os rapazes até as proximidades, deixando-os em estrada a 165 Km de Santa Bárbara, de onde partiram a pé, embrenhando-se na mata para adestramento.
Em 05 de julho de 1975 foi publicada uma nota a respeito do Grupo Escoteiro Uirapuru. "Há algum tempo este escotismo ficou paralisado, talvez por falta de um maior apoio e um incentivo àqueles que trabalham por ele. Durante a semana nossa reportagem esteve em contato com Sr. Milton Salomão, presidente do Grupo Escoteiro Uirapuru, relatando-nos que atualmente aquela instituição está em pleno funcionamento". Parsa tanto, de 6 a 13 de julho houve um acampamento demonstrativo ao lado do Grupo Escola Ginásio Prof. Ulisses de Oliveira Valente.
No dia 30 de agosto de 1975 Santa Bárbara recebeu a visita dos índios Xavantes que disputavam, no estádio "Antônio Guimarães", um partida de futebol com uma equipe organizada pelo Departamento de Suprimentos das Indústrias Romi. Os índios foram recepcionados pelo chefe do Departamento de Suprimentos das Indústrias Romi, Adherbal Martins; Natale Giacomini e também pelo Grupo Escoteiro Uirapuru. Visitaram a redação do Jornal "Edição Barbarense" acompanhados pelo presidente do Grupo Escoteiro, Sr. Milton Salomão, onde foram recebidos pelo diretor José Naidelice e pelo redator Gilson Alberto Novaes.
Nos dias 1º e 02 de novembro de 1975 o Grupo Escoteiro Uirapuru esteve comemorando seu 9º aniversário. Para as festividades, foram convidados escoteiros de diversas cidades e o acampamento foi em frente ao Hotel Municipal, na rua Prudente Morais.
O Grupo Escoteiro Uirapuru esteve com 35 dos seus componentes acampados na Fazenda São Bento, de Capivari de 15 a 18 de abril de 1976 comemorando o dia do Escoteiro. Os dias em que estiveram acampados eram feriados da Semana Santa.
O Grupo esteve no final de semana de 08 de maio de 1977 batendo nas portas das casas barbarenses para solicitar pequenos auxílios para a Campanha do Agasalho, promovida pela Primeira Dama do Estado de São Paulo, dona Lila Martins, esposa do governados Paulo Egídio e coordenada em Santa Bárbara d’Oeste pelo sargento José Tavares da Polícia Militar.
Fontes:
"Boletim Informativo Romi"- dezembro de 1979.
"Correio Barbarense".
"Jornal d’Oeste"- 14 de janeiro de 1968.
"Correio Barbarense"- 04 de fevereiro de 1968.
"Jornal d’Oeste"- 18 de setembro de 1969.
"Jornal d’Oeste"- 02 de outubro de 1969.
"Jornal d’Oeste"- 22 de janeiro de 1970.
"Edição Barbarense"- 04 de abril de 1970.
"Edição Barbarense"- 25 de abril de 1970.
"Jornal d’Oeste"- 03 de maio de 1970.
"Jornal d’Oeste"- 26 de julho de 1970.
"Folha de Americana"- 04 de março de 1971.
"Edição Barbarense"- 06 de março de 1971.
"Jornal d’Oeste"- 03 de maio de 1970.
"Edição Barbarense"- 03 de junho de 1972.
"A Folha"- 05 de maio de 1973.
"Edição Barbarense"- 19 de maio de 1973.
"Jornal d’Oeste"- 11 e 21 de outubro de 1973.
"Edição Barbarense"- 24 de novembro de 1973.
"Edição Barbarense"
"Edição Barbarense"- 30 de agosto e 3 de setembro de 1975.
"Edição Barbarense"- 1º de novembro de 1975.
"Edição Barbarense"- 22 de abril de 1976.
"Jornal d’Oeste"
De acordo com informações registradas no jornal "A Verdade " de Santa Bárbara d’Oeste, o primeiro grupo de escoteiros surgiu em 1918 e em reunião efetuada em 16 de fevereiro deste ano, foi eleita a diretoria da Associação Regional de Escoteiros desta cidade: presidente, prof. Daniel P. Verano Pontes; vice-presidente, coronel José Gabriel de Oliveira e Sebastião Paes da Silva; tesoureiro, capitão Antonio O. Cordeiro; secretário, prof. Ulisses Valente; vogais, Srs. Olívio Saes, Sábato Ronsini, José O. Lino, Amanzino de Carvalho e Cláudio Savaget de Oliveira. A primeira patrulha era constituída por oito escoteiros inscritos.
Porém, nem todos os escoteiros possuíam recursos para comprar a farda, já que deveriam estar uniformizados. Dessa forma, a diretoria apelou aos habitantes da cidade, pedindo auxílio para aplicá-lo na compra do fardamento para estes escoteiros.
Os jovens recebiam diariamente instrução militar e lições de ginástica ministradas pelo cabo Abílio Ramos, comandante do destacamento local e participavam de excursões para, além de desenvolverem práticas, divulgarem o escotismo nas cidades da região.
Conforme publicado no jornal "A Verdade" no dia 9 de abril deste ano, houve uma excursão à chácara do Sr. major João P. Toledo Martins e no dia 20 do mesmo mês, os jovens foram à chácara do Sr. coronel João Steagall, onde fizeram ginástica sueca e acenderam uma fogueira, cozinhando arroz, ovos, etc. Foi publicada também uma nota sobre a visita na fazenda Jamaica: "No dia 21 os escoteiros desta cidade percorreram 8Km, visitando a fazenda Jamaica, propriedade agrícola do Sr., capitão Guilherme Keese. Depois de amavelmente recebidos pelo Sr. Guilherme Keese e sua esposa, foi-lhes oferecido um opiparo jantar. Executaram as lições de ginástica sueca, regressando à noite."
Em outra edição do jornal "A Verdade" foi publicado que em 30 de março deste ano, numa festa cívica, na cidade de São Paulo, formaram 2.360 escoteiros que foram passados em revista pelo Dr. Paulo Lessa, presidente da Comissão Executiva da Liga de Defesa Nacional. Pronunciou depois um discurso aos escoteiros do Brasil: "Cumpri rigorosamente o vosso código, escoteiros, divulgai por toda a sociedade os vossos lemas e os vossos canones, continuai sempre a praticá-los em todas as circunstâncias da vida, e esta bandeira que ora vos é concedida, será um dos mais admirados e respeitados pavilhões do mundo."
Em benefício da Associação Brasileira de Escoteiros da cidade, realizou-se no teatro, no dia 15 de agosto de 1918 um espetáculo, cujo programa contava com: Os escoteiros - canto; monólogo "A Boneca" pela menina Maria C. Machado; a comédia "A Borboleta Negra" por Mercedes Munhoz, Lourdes Cordeiro e Laura Monteiro e o canto "Cruz Vermelha" com a participação da banda "União Barbarense" regida pelo maestro Lázaro Domingues.
No dia 7 de setembro de 1918 foi realizada na praça Rio Branco, uma homenagem dos escoteiros à colônia Síria do Estado de São Paulo, como demonstração à mesma pelas provas de solidariedade aos escoteiros. Foi lida uma mensagem redigida por Ruy Barbosa e dirigida aos escoteiros de todo o mundo, pedindo que intercedam, junto aos seus governos, que seja assegurada a independência da Síria. A mensagem foi lida pelo prof. Daniel Verano."Os boys-scouts brasileiros invocam o ativo concurso dos seus irmãos de um e outro continente em favor de uma raça, cujas qualidades laboriosas e produtoras se têm vindo refugiar na América, da opressão que a tem abatido na sua terra. (...) A Síria vegeta nessa família de nações absorvidas e exploradas, que, vítimas de um imperialismo brutal e anti-cristão, assim como da já hoje a insustentável distinção entre soberanias armadas e soberanias inermes, clamam em vão pelos seus direitos".
Falou depois o escoteiro monitor Sebastião de Oliveira: "Em nome dos escoteiros desta terra, vos saudo erguendo um viva. Viva a Colônia Síria do Brasil! Viva o Governo Brasileiro! Viva a Associação Brasileira de Escoteiros!".
Em nome da Colônia Síria, o Sr. Sábato Ronsini, escrivão de paz, respondeu a saudação : "Nessa hora o apelo dos escoteiros brasileiros se levanta. Essa prece infantil atravessando montes e vales, rios, mares e oceanos, há de alcançar o coração dos povos aliados e tornar-se-ão a sementeira fecunda da liberdade síria. (...) E os sírios do Brasil sentem-se orgulhosos de terem contraído tantas dívidas sublimes para com esse povo. Essas dívidas todas, só de um modo podem eles responder: fazendo votos pela maior glória, maior grandeza do Brasil, irmenando-se com os seus filhos para essa maior glória e grandeza. E esses votos vão traduzi-los em um único grito, repassando de gratidão, que vós, Oh escoteiros, esperanças radiosas da terra de Santa Cruz, ide repetir com eles, com toda a força de que é capaz o vosso peito juvenil: Viva o Brasil!".
Logo após, na residência do Sr. Calil Baruck, a Colônia Síria serviu aos escoteiros, diretoria, e pessoas presentes com um copo de cerveja.
De acordo com os registros, a última edição do jornal "A Verdade" que se tem acesso é a de 22 de setembro de 1918. Mas não se sabe se esta foi realmente a data em que o jornal interrompeu o seu trabalho.
Foi anunciada para agosto de 1924 em Copenhague na Dinamarca uma grande reunião internacional do escotismo, onde todas as associações reconhecidas pelo Bureau Internacional de Londres foram convidadas, inclusive a Associação de Escoteiros Católicos do Brasil. Cada país inscrito deveria enviar 4 instrutores e 48 escoteiros.
Em setembro de 1925 o diretor do Grupo Escolar (atual José Gabriel de Oliveira) de Santa Bárbara d’Oeste Sr. prof. Joaquim do Canto recebeu do inspetor de exercícios físicos uma circular determinando que fosse promovida a reorganização do escotismo na cidade, insistindo que esse escotismo fosse de qualidade e não de quantidade.
Em 13 de maio de 1927 a cidade recebeu 100 escoteiros da Vila Americana acompanhados pela comissão composta por Alcindo Nascimento - Diretor do Grupo Escolar, Solidário Pedroso, Leonor de Camargo, Inez Risoleta de Faria e Argemiro Cesarino Leite e Isabel Oliveira Leite. Na chegada saudaram a Câmara Municipal e o prefeito Sr. coronel José Gabriel de Oliveira e Souza e logo após dirigiram-se ao Grupo Escolar da cidade para um desfile. Em seguida, distribuíram-se pelas principais casas para almoço e café. Partiram de volta de locomotiva erguendo vivas ao 13 de Maio, à Vila Americana e à Santa Bárbara.
Em reunião efetivada em junho de 1927 , foi eleita uma nova diretoria para a Comissão Regional dos Escoteiros da cidade: José Jorge Maricato- presidente, Indalécio Sproesser - vice-presidente, prof. José Domingues Rodrigues - 1º secretário, João Zacharias Maia - 2º secretário e Ananias Haddad - tesoureiro. Como patrono o bandeirante Antonio Corrêa Ribeiro, como diretor técnico prof. Joaquim do Canto, delegado técnico prof. Ulisses de Oliveira Valente, instrutor técnico e capitão Antonio Telles de Freitas, chefe João Matheus e sub-chefes José Azanha Galvão e Benedito Amaral.Para que os exercícios fossem realizados à noite, no recreio do Grupo Escolar, o prefeito coronel José Gabriel de Oliveira e Souza ordenou que fosse feita uma instalação elétrica no local e para aquisição de cornetas e tambores a comissão esperou donativos de pessoas da cidade.
No dia 13 de junho deste mesmo ano, os escoteiros seguiram da Usina até Santo Antonio para realizarem festejos solenes na capela, acompanhados da diretoria recém-eleita.
Em 03 de junho de 1927 realizou-se uma reunião para a fundação da Associação Atlética dos Escoteiros, cuja diretoria foi eleita a seguinte: presidente honorário, José Jorge Maricato; presidente, Antonio Telles de Freitas; vice-presidente, João Matheus; 1º secretário, João Amaral; 2º secretário, Benedito Amaral; 1º tesoureiro, José Azanha Galvão; 2º tesoureiro, Sebastião Mattos. Na comissão de futebol e bola ao cesto: 1º capitão, Lázaro Porfírio; 2º capitão Antonio Barbosa e como fiscal de campo, Antonio de Campos.
A praça de esportes da Associação Atlética dos Escoteiros foi instalada no terreno de propriedade do Sr. Henrique MacKnight, que cedeu-o num gesto de patriotismo, para futebol, bola ao cesto, corridas, saltos, lançamento de dardo e disco, esgrima, boxe e natação.
O número de escoteiros cresceu e várias excursões foram realizadas pela região. Em agosto de 1927 , ao largo da Matriz de Santa Bárbara, sob o comando do instrutor Antonio Telles, fizeram uma demonstração de ginástica sueca; foram até a Fazenda Jamaica, administrada por Benedicto Nunes de Almeida que serviu um lanche aos escoteiros.
Seguiram também para Nova Odessa , passando pela propriedade de Nicola de Cillo & Irmãos para tomarem um licor e depois para a Vila onde se realizava uma festa religiosa, para executarem algumas evoluções juntamente com os escoteiros da Vila Americana.
No mês de setembro do mesmo ano , visitaram a Usina Santa Bárbara a fim de cumprimentarem, seus diretores. Sempre acompanhados por membros da diretoria, fizeram demonstração das diversas ginásticas, tendo sidos filmados pelo Dr. Frederico de Souza Queiroz, diretor-gerente da Usina.Seguiram também em viagem de instrução até Carioba , onde foram recebidos pelos Srs. Herman Muller e Antonio Strieder. Na volta assistiram a uma partida de futebol entre União Barbarense e Rio Branco na Vila Americana. "Tendo por essa ocasião havido uma grave e horrível cena de sangue, tendo os nossos bravos escoteiros, com sua farmácia ambulante, prestado os socorros de urgência aos feridos."
Conforme publicado no jornal "Cidade de Santa Bárbara" , se realizou em 12 de outubro de 1927 a cerimônia de juramento à bandeira com a visitados escoteiros da Vila Americana e Carioba. A solenidade foi paraninfada pela Sra. Cecília de Souza Queiroz. Foi oferecida uma medalha de ouro ao capitão Antonio Telles de Freitas, como recompensa aos bons serviços prestados ao escotismo na cidade e com o fim de angariar fundos para aquisição de utensílios, a diretoria organizou uma rifa que seria extraída pela loteria federal com 5 bons prêmios. O programa seguido no dia 12 de outubro foi o seguinte: fanfarra dos escoteiros, hasteamento da bandeira, chegada dos escoteiros da Vila Americana e Carioba, cumprimento às autoridades, distribuição para acantonamento, juramento à bandeira, homenagens, distribuição de doces e refrescos no salão de propriedade de Luiz Furlan, desfile até a Usina e marche au flambeaux.
Em 13 de novembro de 1927 seguiram para Piracicaba, de caminhão, onde desfilaram pelas principais ruas da cidade e fizeram demonstrações de escotismo. "Durante a mesma, o largo da Matriz de Santo Antonio achava-se inteiramente ocupado por grande massa popular, chegando mesmo às vezes dificultar as evoluções dos nossos escoteiros, na ânsia de apreciá-los e saudá-los com estrondosas salvas de palmas."
No dia 15 de novembro do mesmo ano comemoraram a data da Proclamação da República desfilando pelas principais ruas da cidade de Santa Bárbara e no dia 20 do mesmo mês seguiram para a Vila Americana para fazerem exercícios e evoluções.
Em 18 de dezembro de 1927 seguiram em viagem de instrução, de trem, ao Caiubi, onde fizeram acampamento, campanha e reconhecimento.Na edição de 08 de janeiro de 1928 do jornal "A Cidade de Santa Bárbara", de acordo com os registros aparece pela 1ª vez o nome da Comissão Regional de Escoteiros da cidade: C.R.E. "Antonio Corrêa Ribeiro", dando título a uma nota sobre mais uma excursão. "Sob o comando dos Srs. Capitão Antonio Telles de Freitas e chefe Benedito Amaral, segue hoje em visita oficial à cidade de Limeira, uma delegação dos nossos escoteiros. A viagem será feita a pé até Vila Americana onde os escoteiros tomarão o comboio da Paulista que os conduzirá até aquela importante cidade. O Sr. capitão Antonio Telles de Freitas será também o portador de uma mensagem de saudação que o nosso estimado Prefeito Municipal, Sr. cel. José Gabriel de Oliveira e Souza, em nome do povo barbarense saúda, por intermédio do Prefeito Municipal de Limeira, Sr. Adão José Duarte do Patêo, o seu laborioso povo. Os nossos escoteiros serão acompanhados por diversos membros da diretoria da C.R.E."Em fevereiro de 1928 , seguiram para a cidade de Rio das Pedras para visita oficial e propaganda, onde foram recebidos pelo Prefeito Municipal, Sr. Donato Marino, conhecendo os principais pontos da cidade. Ficaram hospedados nos melhores hotéis e nada faltou-lhes durante a hospedagem. Retornaram, de trem, no dia seguinte, após uma demonstração de ginástica e realização de um grande desfile.
Em março do mesmo ano seguiram para Capivari, numa caminhada de mais ou menos 11 horas de duração. Foram recebidos pelas autoridades, Tiro de Guerra 603, Batalhão Infantil, banda de música e grande massa popular e desfilaram até o centro da cidade. Por ordem do prefeito, Sr. Alfredo Amaral, foram hospedados no Hotel Neves e tiveram entrada franca no teatro. À noite no sarau dançante realizado na residência do Sr. Leonidas de Campos Teixeira - presidente do Tiro 603 e Batalhão Infantil, compareceram o capitão Antonio Telles de Freitas e o jovem Plínio Dias da Silva, representante da diretoria da C.R..E. No dia seguinte, domingo, os escoteiros assistiram à missa na Matriz e conheceram os principais pontos da cidade. Realizaram evoluções e ginásticas e desfilaram até a residência do Sr. prefeito para oferecer à Sra. Alfredo Amaral um ramalhete de flores. Retornaram de caminhão somente na segunda-feira.
Em 15 de abril de 1928 foi publicada uma nota intitulada "O valor do escotismo" frisando que pelo seu caráter prático, não há instituição que responda melhormente à cultura, que regularize as funções vitais e desenvolva as faculdades mentais e morais. "Assim considerado, o escotismo é a verdadeira escola que prepara o cidadão de amanhã - o corpo varonil, a alma generosa e a inteligência lúcida - para bem servir o seu país."
As excursões continuaram. Em 21 de abril de 1928 , os escoteiros partiram pelo trem da Usina até a Areia Branca e seguiram a pé até Monte-Mor para uma visita. Foram acompanhados por José Jorge Maricato, Antonio Telles de Freitas, prof. José Domingues Rodrigues e Ananias Haddad, regressando somente no dia seguinte. A excursão teve como finalidade além de intensificar o escotismo, homenagear seu protetor, São Jorge, patrono Universal. Os escoteiros ficaram hospedados nas residências das famílias e a respectiva diretoria no Hotel Paulista. Desfilaram ao som estridente dos clarins e rufar dos tambores, fizeram demonstração de ginástica sueca, esgrima, evoluções de marcha e pirâmides. De lá tomaram uma jardineira e seguiram para Campinas para um desfile pela cidade.
Em 10 de junho de 1928 foi publicado um comunicado a C.R.E.: "Tendo o Sr. capitão Antonio Telles de Freitas, distinto e incansável comandante dos nossos garbosos escoteiros, de retirar-se desta cidade para a de Piracicaba, foi designado para substituí-lo interinamente o Sr. chefe Benedicto do Amaral Castro." Na mesma nota foi comunicado também o primeiro aniversário do grupo, dia 13 de junho, mas que seria comemorado no dia 17 no bairro do Sapezeiro juntamente com o glorioso Santo Antonio, padroeiro do bairro. Nesse dia seria feita a entrega de medalhas e distintivos comemorativos e a entrega oficial do comando pelo Sr. capitão Telles de Freitas.
Em final de junho de 1928 realizou-se a posse da nova diretoria da C.R.E.: patrono, Antonio Corrêa Ribeiro; presidente honorário, Dr. Frederico de Souza Queiroz; vice-presidente, Dr. Nelson Pereira de Almeida; presidente, José Jorge Maricato; vice-presidente, Ananias Haddad; 1º secretário, prof. Benedicto Alves Nogueira; 2º secretário, prof. José Domingues Rodrigues; 1º tesoureiro, Calil Baruque; 2º tesoureiro, João Zacharias Maia; diretor técnico, capitão Antonio Telles de Freitas; delegado técnico, Plínio Dias da Silva; instrutor técnico, chefe Benedicto Amaral de Castro.
Em novembro de 1931 estava sendo reerguida a instituição de Baden Powell, com exercícios de Escotismo diários realizados no pátio de recreio do Grupo Escolar sob direção do Sr. Benedicto do Amaral e auxílio dos Srs. Azael Rocha, Lauro Lino e Benedicto Baptista.
Em julho de 1949 foi publicada uma nota (juntamente com uma foto) sobre o batalhão de escoteiros que se organizava no Grupo Escolar - agora chamado - José Gabriel de Oliveira por iniciativa do diretor Sr. prof. Ari Camponês de Oliveira e contribuição do Sr. prof. Ulisses de Oliveira Valente. "Ao som da fanfarra, marchando garbosos, os nossos escoteiros têm desfilado pelas ruas da cidade sob o comando do referido diretor."
A última excursão do Núcleo de Escoteiros do Grupo Escolar José Gabriel de Oliveira que se tem registrado foi realizada em setembro de 1949 para Piracicaba, onde foram recebidos pelas autoridades da cidade para um desfile e uma visita ao parque infantil.
Fontes
"A Verdade" - 24 de fevereiro de 1918
"A Verdade" - 28 de abril de 1918
"A Verdade" - 26 de maio de 1918
"A Verdade" - 09 de junho de 1918
"A Verdade"- 11 de agosto de 1918
"A Verdade"- 1º de setembro e 07 de setembro de 1918
"A Verdade"- 14 de setembro de 1918
"A Verdade"- 22 de setembro de 1918
"A Tribuna"- 27 de janeiro de 1924
"Cidade de Santa Bárbara"- 20 de setembro de 1925
"Cidade de Santa Bárbara"- 15 de maio de 1927
"Cidade de Santa Bárbara"- 12 de junho de 1927
"Cidade de Santa Bárbara"- 19 de agosto de 1927
"Cidade de Santa Bárbara"- 07 de agosto de 1927
"Cidade de Santa Bárbara"- 21 de agosto de 1927
"Cidade de Santa Bárbara"- 04 de setembro de 1927
"Cidade de Santa Bárbara"- 25 de setembro de 1927
"Cidade de Santa Bárbara"- 15 de novembro de 1927
"Cidade de Santa Bárbara"
"Cidade de Santa Bárbara"- 19 de fevereiro de 1928
"Cidade de Santa Bárbara"- 11 de março de 1928
"Cidade de Santa Bárbara"
"Cidade de Santa Bárbara"- 22 de abril de 1928
"Cidade de Santa Bárbara"
"Cidade de Santa Bárbara"- 1º de agosto de 1928
"Cidade de Santa Bárbara"- 22 de novembro de 1931
"A Vanguarda"- 31 de julho de 1949
"Jornal d’Oeste"- 25 de setembro de 1949Acampamento de Escoteiros
"E o encanto dos acampamentos.
A noite, após as marchas e os árduos trabalhos do dia, que incomparável prazer ouvir as histórias, os cânticos ao redor da fogueira, onde um companheiro hábil dedilha, ao violão, sentimentais cantigas.
São verdadeiras cenas do sertão...
O silêncio imponente da noite, o luar que côa por entre as folhas, deixando manchas prateadas pelo chão , transportam o espírito do escoteiro, e nessas horas apesar de sentir as saudades de casa, ninguém é mais venturoso do que ele.
E é com o espírito assim preparado que quase sem sentir, ajoelha-se para as orações da noite. Oh! Aquelas orações... A sua alma subtilizada por toda a pureza que se evola da terra, é mais sã e aberta do que nunca e quase sem sentir eleva-se às alturas e ouve o Criador que lhe fala através dos murmúrios da natureza, tão serena e impressionante.
As chamas do fogo que antes crepitavam, extinguiram-se. Um enorme braseiro é que resta no meio do campo. E soa todas aquelas impressões suavíssimas, o escoteiro estende-se numa salutar fadiga na sua cama de terra dura que lhe parece de um conforto nunca sentido. Pela porta da barraca vê ainda as estrelas que dançam e se vão pouco a pouco confundindo e apagando com as últimas palavras de sua prece... Alvorada. A natureza acorda. Uns sons alegres vêm despertá-lo. Põe a cabeça fora, ainda estremunhando. Que soberbo espetáculo... O sol vem incendiando tudo por sobre um castelo de nuvens. Oh! E ele nunca vira aquilo... O espírito voa para o lar. Que pezar de seus paizinhos queridos, os seus irmãos não estejam a gozar com ele daquelas emoções nunca sentidas! Mas há de trazê-los um dia.
O mesmo sentimento de amor filial que o adormecera, acorda-o . Começa o dia. A ginástica, o banho e toda a variada atividade dos escoteiros. É aí que o seu espírito de recurso e iniciativa se desenvolve.
A maneira de Robson aprende a utilizar-se de tudo que a natureza lhe oferece numa prodigaliddade sem par. E no fim do dia sentindo as mesmas emoções da véspera, lembra-se com prazer dos trabalhos feitos, as pontes, as cabanas, que lhe custaram bons calos, a grande caminhada para descobrir a fonte de água fresquinha e límpida...
Quando volta, como lhe parece fácil a vida da cidade... Sente confiança em si. É o homem que já não teme as mais difíceis situações.
Volta ao campo durante dois, três anos e sempre aquelas emoções que purificam e aperfeiçoam a alma e aquela experiência que tanto lhe encoraja para a vida.
E, coisa extraordinária: reúnem-se nos acampamentos centenas de meninos e nunca houve exemplo de um acidente de um desastre tal a solicitude dos chefes e a prudência dos escoteiros."
Transcrito do Jornal d’Oeste, 18 de fevereiro de 1968.
Fotos: Antonio Carlos AngoliniAcampamento do Grupo Escoteiro Uirapuru - Tupi5, 6 e 7 de dezembro de 2003
O Escotismo é um método de educação apresentado ao rapaz desenvolvendo-lhe o caráter, a personalidade e a boa cidadania, mas de uma maneira agradável, complementando a função do Lar, da Igreja e da Escola. Tem como objetivo o cumprimento de deveres:
para com Deus: independente da religião a que o jovem pertença, o princípio é reconhecer as bondades infinitas de Deus.
para com sua Pátria: tanto nos tempos de guerra como nos de paz, prestando serviços úteis através do adestramento disciplinado e ao ar livre na guerra, e desempenho de trabalho e funções de responsabilidade na comunidade ou governo na paz.
ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião: para se manter fisicamente forte, moralmente reto e mentalmente disposto.
obedecer a Lei do Escoteiro: cumprindo um valiosíssimo Código de Honra, que estimulará o jovem a ser cidadão honrado, leal, útil, amigo, cortês, bondoso, obediente, alegre, econômico e limpo.
Proporciona o desenvolvimento físico do rapaz através de exercícios, práticas especiais, jogos ao ar livre, excursões e acampamentos; o desenvolvimento moral, através da observação cuidadosa da Lei do Escoteiro e por último o desenvolvimento intelectual, através de conhecimentos das provas de classe (noviço, segunda e primeira) com instrução de cozinha, campismo, nós, natação e salvamento, primeiros socorros, regras de segurança, transmissão de sinais, orientação, estudo da natureza, etc. e desenvolvimento de vocação como enfermeiro, carpinteiro, pedreiro, mecânico, jornalista, eletricista, topógrafo, piloto, telegrafista, etc.
O mais importante de tudo isso é o desenvolvimento de hábitos de obediência, pois ao ingressar na Associação, o jovem deve seguir uma disciplina e ter responsabilidades no cargo que lhe é dado. E desde o cargo de Secretário ou Almoxarife da Patrulha, vai passando sucessivamente pelos cargos de Sub-Monitor, Monitor, Guia, Sub-Chefe e Chefe. Esta é a chave da glória do Escotismo: responsabilidades e trabalhos aos rapazes para que se sintam ativos, conduzindo-os por meio de costumes e tradições especiais primitivas e trabalhos manuais que os façam lembrar os exploradores das selvas, pioneiros, missionários e guarda-fronteira.
Outra chave de todo o adestramento escoteiro é o campismo, pois a saúde, o auto-domínio, a coragem, a camaradagem e apreciação da obra de Deus são desenvolvidos pela vida ao ar livre. E por último o espírito internacional, destacando que os rapazes das diferentes nações da Terra têm em comum a igualdade de ideais, fazendo abstração de raças e crenças, desenvolvendo a boa vontade entre as nações.
O movimento escoteiro é estritamente apolítico e seus dirigentes realizam seu patriótico trabalho honorária e desinteressadamente sem interromper as horas de trabalho nos escritórios e escolas, ou seja, as atividades se desenvolvem nas horas livres e tanto o ingresso quanto a saída do rapaz são inteiramente voluntárias.
A Organização Mundial dos Escoteiros é uma entidade jurídica internacional de caráter civil, com sede em Londres, na qual estão representadas, por meio de um Comitê Internacional, a quase totalidade dos países civilizados. No Brasil, o movimento está afeto à União dos Escoteiros do Brasil, com sede no Distrito Federal conforme Lei nº 5.497 de 23.7.928 e Decreto-Lei nº 8.828 de 24.1.946 do Governo Federal.

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